OusodoBigDatanaseleiçõespolíticas


O momento eleitoral do Brasil se aproxima e, em outubro, serão redefinidos os representantes dos cargos de presidente da República, governador, senador e deputados federal e estadual. Nesse contexto, é importante entender as estratégias utilizadas nas campanhas políticas, principalmente a aplicação de tecnologias baseadas em big data e inteligência artificial, que  vêm se tornando determinantes na assertividade dessas campanhas. Em linhas gerais, é feita a análise e segmentação dos eleitores, permitindo o alinhamento dos discursos dos candidatos com os perfis desses decisores, buscando o direcionamento de conteúdos aos públicos com maior receptividade a eles. Como exemplo do que ocorre nesse cenário, pode-se citar a Cambridge Analytica (CA), empresa de consultoria política que trabalhou para a campanha de Donald Trump, em 2016. Segundo relato de um ex-funcionário da CA ao jornal britânico "Guardian", a empresa já trabalhou em mais de 200 eleições pelo mundo.

Um dos primeiros passos desse tipo de estratégia é o mapeamento de perfis eleitorais, de forma a segmentar os eleitores e desenvolver ações específicas para cada um. Utilizando-se de softwares de inteligência artificial, por exemplo, que compilam informações públicas e identificam perfis de pessoas, as equipes dos candidatos podem orientar os discursos políticos, potencializando as intenções de voto. Ainda usando a CA como exemplo, ela buscou dados de usuários nas plataformas da internet, aplicando técnicas que exploravam os pontos fracos das pessoas, de acordo com uma colunista do “Guardian”. Identifica-se potenciais apoiadores, traça-se um contexto do que os move e cria-se mensagens específicas para diferentes grupos em função do que querem ouvir.

Além de mapear informações gerais sobre os eleitores, o rastreamento dos perfis possibilita identificar quais temas são mais sensíveis a cada grupo. Muitas vezes, os eleitores podem mudar de intenção de voto em determinado candidato caso ouçam dele algo muito divergente de seus próprios valores. Dessa forma, os comitês eleitorais podem adaptar os discursos a cada tipo de pessoa e, em casos mais extremos, pode haver “operações psicológicas”. Segundo Christopher Wylie, ex-funcionário do grupo britânico Strategic Communication Laboratories que denunciou uso ilegal de dados de usuários do Facebook, essas operações buscam mudar as crenças e o pensamento político das pessoas através da “dominância informativa”, técnica que difunde rumores, desinformação e notícias falsas.

Afinal, entende-se que a otimização máxima de resultados em uma campanha eleitoral ocorre quando há o equilíbrio entre o canal adequado, a mensagem transmitida, assim como o tom utilizado nesse discurso. O Brasil, em relação aos Estados Unidos, utiliza a tecnologia de forma diferente em campanhas eleitorais, de acordo com Luciane Antoniutti, especialista no uso de big data em eleições. Lá, a precisão em identificar o interesse da população é maior e os dados dos cidadãos são mais disponibilizados, com o real consentimento. Logo, é essencial compreender que, por maior que seja o acesso aos dados de eleitores, eles serão usados para segmentar e direcionar estratégias ao público, configurando ações arriscadas, independentemente de envolverem estratégias simples de comunicação ou práticas mais extremas. Fonte: Targetdata

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