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Os brasileiros têm fé – ao menos na tecnologia. 86% dizem confiar no setor. Em todas as outras áreas da economia, o nível de confiança caiu, segundo pesquisa realizada de janeiro de 2018. Mas, para Luciana Stein, diretora para as Américas do Sul e Central da TrendWatching, essa crença inabalável deve ser revista. A executiva da empresa de tendências se apresentou nesta terça-feira (04/12), no Festival de Inovação e Cultura Empreendedora (FICE), evento realizado por Época NEGÓCIOS, Pequenas Empresas & Grandes Negócios e Valor Econômico. 

“Milhões de pessoas estão delegando aos algoritmos o poder de tomar decisões por nós”, diz. Esse caminho, de acordo com ela, é bastante perigoso. “Precisamos retrabalhar nosso relacionamento com a tecnologia”. Um dos exemplos citados por Luciana para justificar o receio de deixarmos muito poder nas mãos das máquinas é o software de reconhecimento facial da Amazon, o Rekognition. Um teste recente da ONG americana ACLU, realizado com os membros do Congresso dos EUA a partir de fotos, mostrou que o sistema identificou erroneamente 28 políticos como pessoas que já haviam sido presas. Os erros se concentraram desproporcionalmente nas imagens de congressistas negros. A pesquisa causou polêmica e Amazon contestou o estudo.

O fato mostra, segundo Luciana, que ao criarmos algoritmos estamos reproduzindo nossos preconceitos. Eis outro exemplo, escancarado por uma campanha da ONG Desabafo Social. A organização fez uma série de vídeos mostrando buscas por fotos em alguns dos maiores bancos de imagens do mundo, como Shutterstock e Getty Images. Ao pesquisarmos os termos ‘família’ e ‘bebê’, os resultados que aparecem são, em sua grande maioria, fotos de famílias e crianças brancas. Para que negros apareçam é preciso digitar ‘família negra’, ‘bebê negro’. “Os algoritmos estão jogando na nossa cara o preconceito. Precisamos usar a tecnologia para nos fazer melhores – não piores”.

Ela defende que é hora de gastarmos energia com inovações e ações que de fato possam tornar o mundo melhor. O lançamento de um app de realidade virtual do Facebook que mostrava uma caricatura de Mark Zuckerberg perambulando pelas ruas destruídas de Porto Rico, após o furacão Maria, ou ainda a decisão de Elon Musk de enviar ao espaço um Tesla, seriam maus exemplos de como gastar tempo e dinheiro. E aí, concorda? Fonte: Época Negócios

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